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O fraude está evoluindo. Sua estratégia está evoluindo também?

Revolution Banking | Estádio Metropolitano, Madrid

No âmbito do Revolution Banking, um dos principais encontros do setor bancário na Espanha, ocorreu o painel “O fraude está evoluindo. Sua estratégia está evoluindo também?”, moderado por Juan Guirado Miras (Grupo Cajamar), com a participação de Corinna Scatena (Getnet) e Julio Monseco Gómez (Lyfense).

A sessão partiu de uma premissa clara: o fraude está evoluindo rapidamente, e a questão é se as estratégias das instituições estão acompanhando esse ritmo.

Um contexto que redefine o fraude

Durante a introdução, foram destacados alguns sinais-chave:

  • O fraude em pagamentos no Espaço Econômico Europeu alcançou €4,2 bilhões, com maior impacto em transferências e pagamentos.
  • Os atacantes estão migrando para cenários em que o cliente autoriza a transação, sendo a manipulação do pagador responsável por cerca de metade do valor do fraude em transferências.
  • Segundo a Europol, o fraude online é a área de crime organizado que mais cresce, impulsionada pela automação e pela inteligência artificial.

Esse cenário aponta para uma mudança significativa na gestão de risco.

O impacto da IA no fraude

Julio Monseco destacou como o acesso a ferramentas de inteligência artificial por parte dos fraudadores mudou significativamente as regras do jogo.

Mecanismos tradicionais — baseados em regras, modelos estáticos ou sinais como dados de dispositivos ou biometria comportamental — perderam protagonismo frente a técnicas cada vez mais sofisticadas, como phishing e smishing.

Em muitos casos, os atacantes conseguem convencer as vítimas a realizar transações aparentemente legítimas, acreditando estar agindo corretamente.

Diante desse cenário, ele reforçou a necessidade de proteger o cliente não apenas com campanhas de conscientização, mas também com soluções capazes de detectar essas situações em tempo real, mesmo quando o próprio cliente executa a transação.

A importância de conhecer o cliente

Do ponto de vista das instituições, Corinna Scatena destacou a importância de conhecer o cliente ao longo de todo o seu ciclo de vida e gerenciar essa relação de forma adequada.

Ela mencionou diferentes tipologias de fraude, como fraude do CEO e roubo de identidade, além do crescimento de identidades sintéticas e do uso de deepfakes cada vez mais sofisticados.

Também destacou a importância de realizar processos rigorosos de due diligence na escolha de fornecedores, envolvendo equipes de compliance, jurídico e TI, além de reforçar a colaboração interna para estruturar processos de forma eficiente. 

Nesse contexto, citou iniciativas como EUDI Wallet e eIDAS2 como possíveis ferramentas para apoiar o combate ao fraude, ainda que tragam novos desafios em termos de responsabilidade.

Fricção e experiência: encontrar o equilíbrio

Outro tema abordado foi o equilíbrio entre experiência do usuário e controle de risco.

Do ponto de vista regulatório, foram mencionados marcos como PSD2, PSD3, Digital Services Act e AI Act, que estabelecem expectativas claras para as instituições financeiras.

Julio Monseco acrescentou que é fundamental combinar tecnologia com o conhecimento dos times de prevenção ao crime financeiro.

O setor está evoluindo para um modelo híbrido: combinar inteligência artificial com regras, permitindo detectar situações específicas ao mesmo tempo em que se reduz a fricção para o cliente.

Contas laranja e fraude organizado

O painel também abordou o papel das contas laranja no fraude organizado. 

Segundo Julio Monseco, esse conceito evoluiu e deixou de estar restrito ao combate à lavagem de dinheiro, tornando-se uma ferramenta central para organizações criminosas.

Isso exige ampliar o escopo de análise:

  • Não apenas transações monetárias, mas também não monetárias
  • Interações entre diferentes canais
  • E, principalmente, as transações de entrada

A análise desses fluxos permite identificar contas laranja no momento em que recebem recursos, possibilitando a intervenção antes que o dinheiro saia do sistema financeiro.

Corinna Scatena também trouxe considerações relacionadas ao GDPR e ao compartilhamento de informações.

Tecnologia e colaboração como pilares

Ambos os palestrantes destacaram o papel da inteligência artificial na prevenção ao fraude.

Julio Monseco ressaltou que modelos estáticos já não são suficientes, sendo necessário adotar sistemas de aprendizado contínuo, capazes de se adaptar às novas tipologias de fraude.

Por fim, destacou a importância da colaboração entre os diferentes agentes do ecossistema, reforçando que o compartilhamento de informação é essencial para combater o fraude de forma mais eficaz e proteger clientes cada vez mais vulneráveis.

Conclusão

O fraude está evoluindo impulsionado pela tecnologia, pela automação e por novas formas de manipulação. 

Diante desse cenário, as instituições precisam adaptar suas estratégias, incorporando novas capacidades, fortalecendo a colaboração e utilizando tecnologias que permitam responder a um ambiente cada vez mais complexo.

A pergunta que abre este debate continua plenamente atual:
sua estratégia está evoluindo no mesmo ritmo que o fraude?

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